
Escrevo-te para te dizer que sinto a tua presença na minha vida e que infelizmente não a posso segurar. Ultrapassa-me, é mais forte do que eu queria que fosse e do que tu julgas que é.
Lembras-te daquela manhã em que disseste que não sabias no que andavas a pensar, apenas que sabias que alegrava um dia que tinha sido horrível?
Eu disse-te bom dia. Abri-te a porta da minha vida e não só te deixei entrar como te sentei numa poltrona, para que não mais saísses.
Imagina que todos os meus dias eram o dia que viveste quando chegaste a conclusão que um simples pensamento o mudava. Já estás baralhado? Agora imagina que esse mesmo dia, o dia em que percebia que pensar em ti e no teu mundo mudava o meu, tinha chegado há muito tempo. O que é que farias? Abrias-me a porta e dizias bom dia também? Ou fechava-la e deixavas-me do lado de fora, no vestíbulo?
A tua poltrona é grande, confortável, cara. Não cara porque me custou muito dinheiro, não paguei para teres um lugar no meu pensamento. É cara porque custa a mantê-la no mesmo sítio, é como se escorregasse e te levasse para longe a qualquer momento.
Espero que saibas que não a deixarei ir embora, que farei de tudo para a manter no mesmo sítio, à poltrona e a ti, que não sabes por onde andas mas que sabes que queres vir sempre parar ao mesmo sítio.
Só não sabes como.
O teu chá favorito está na tua caneca do costume, a arrefecer.
Diz-me bom dia.
Inês
Este texto está muito fixe!
ResponderEliminarA ideia é interessante, o final do artigo está brutal e a imagem é simples e bonita e transparece as ideias de este artigo.
Parabéns Inês!
Tem um bom dia xD