
Não batas à porta, abre-a de uma vez e entra. Entra e fecha-a atrás de ti, deixa tudo o que trazes arrastado do outro lado de uma vez por todas, bate com a porta a tudo o que segue atrás de ti prendendo-te os movimentos e anulando-te a vontade.
Não penses demasiado, cansas-te a ti, a mim e a isto. É uma excelente forma de o definir não é? "ISTO". Soa a despreocupação, a leveza. Apesar do teu sorriso fingir o contrário, és demasiado rígido, embora não o pareças. Devias ser mais parecido com dança contemporânea do que com ballet clássico : este é demasiado rígido para ser considerado dança por muitos e no entanto a expressão máxima da arte no movimento.
É exactamente assim que eu te vejo: como a expressão máxima na arte de arrastar, de prender, de cativar e de permanecer. É um chocolate depois de ter derretido na boca: é longo, queremos prolongá-lo o máximo de tempo possível, puxá-lo atrás de nós, tê-lo sempre lá. É o tempo que se estende no espaço, numa duração efémera.
Por isso abre a porta e não percas tempo com palavras pensadas e com gestos ensaiados.
Já viraste o tabuleiro de xadrez uma vez, uma porta escancarada não é nada de mais.
Inês











