Maybe I think I love you today

domingo, 26 de dezembro de 2010

Dancing in the moonlight


Não batas à porta, abre-a de uma vez e entra. Entra e fecha-a atrás de ti, deixa tudo o que trazes arrastado do outro lado de uma vez por todas, bate com a porta a tudo o que segue atrás de ti prendendo-te os movimentos e anulando-te a vontade.

Não penses demasiado, cansas-te a ti, a mim e a isto. É uma excelente forma de o definir não é? "ISTO". Soa a despreocupação, a leveza. Apesar do teu sorriso fingir o contrário, és demasiado rígido, embora não o pareças. Devias ser mais parecido com dança contemporânea do que com ballet clássico : este é demasiado rígido para ser considerado dança por muitos e no entanto a expressão máxima da arte no movimento.

É exactamente assim que eu te vejo: como a expressão máxima na arte de arrastar, de prender, de cativar e de permanecer. É um chocolate depois de ter derretido na boca: é longo, queremos prolongá-lo o máximo de tempo possível, puxá-lo atrás de nós, tê-lo sempre lá. É o tempo que se estende no espaço, numa duração efémera.


Por isso abre a porta e não percas tempo com palavras pensadas e com gestos ensaiados.

Já viraste o tabuleiro de xadrez uma vez, uma porta escancarada não é nada de mais.
Inês

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Good Morning!


Escrevo-te para te dizer que sinto a tua presença na minha vida e que infelizmente não a posso segurar. Ultrapassa-me, é mais forte do que eu queria que fosse e do que tu julgas que é.
Lembras-te daquela manhã em que disseste que não sabias no que andavas a pensar, apenas que sabias que alegrava um dia que tinha sido horrível?

Eu disse-te bom dia. Abri-te a porta da minha vida e não só te deixei entrar como te sentei numa poltrona, para que não mais saísses.

Imagina que todos os meus dias eram o dia que viveste quando chegaste a conclusão que um simples pensamento o mudava. Já estás baralhado? Agora imagina que esse mesmo dia, o dia em que percebia que pensar em ti e no teu mundo mudava o meu, tinha chegado há muito tempo. O que é que farias? Abrias-me a porta e dizias bom dia também? Ou fechava-la e deixavas-me do lado de fora, no vestíbulo?
A tua poltrona é grande, confortável, cara. Não cara porque me custou muito dinheiro, não paguei para teres um lugar no meu pensamento. É cara porque custa a mantê-la no mesmo sítio, é como se escorregasse e te levasse para longe a qualquer momento.
Espero que saibas que não a deixarei ir embora, que farei de tudo para a manter no mesmo sítio, à poltrona e a ti, que não sabes por onde andas mas que sabes que queres vir sempre parar ao mesmo sítio.

Só não sabes como.
O teu chá favorito está na tua caneca do costume, a arrefecer.

Diz-me bom dia.
Inês

sábado, 11 de dezembro de 2010

L.O.V.E.


"Two in love can make it, take my heart and and please don't break it, love was made for me and you"


Nat King Cole

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Queen takes pawn, check or checkmate!


Força. Desafio-te a atirares com as peças todas do tabuleiro para o chão. Mas não o faças de forma controlada, ultrapassa-te só por uma vez que seja. Vira-a ao contrário, não respeites o rei ou a rainha, quebra os peões e esquece as torres, agarra neles e descarta-os.
Tentador, não é? Puderes assim evadir-te de ti próprio uma vez que seja. Hum, já te consigo ver a largares todas as tuas normas e os teus ideais, a deixares de pôr compota de morango nas torradas e quem sabe, talvez mudar para chocolate com avelãs. Achas que consegues?
Não sei se estarás pronto para uma mudança tão grande, podias ao menos tentar. Ias adorar a sensação, é como subir uma rua a correr: não vês o que está atrás de ti, mas só o que está à tua frente, a aproximar-se cada vez mais depressa. É olhar para trás e veres todas as tuas atitudes rídiculas a fazerem troças delas próprias e não de ti.
Descalça-te, mexe-te, vem comigo.
Vive ao meu ritmo. Não te fartas de seguir sempre o teu próprio som? Tu acalmas-te a ti próprio mas corres o risco de te fazer adormecer.
Por isso pega nesse tabuleiro de xadrez e quebra-o, quebra-o com o ódio que sentes pelo teu chefe quando ele diz que o processo que entregaste está incompleto, com o incómodo que sentes quando eu ouço os teus albúns do Sinatra e não tos devolvo, e com a monotonia que é o teu serão.
Tens uma encruzilhada à tua frente, escolhe uma, toma uma decisão mas não a ponderes durante dias a fio. Toma-la agora, anda comigo.
Tens o comando na mão agora, sai do conforto do replay, vá lá.
Estava mesmo farta desse jogo de estratégia, apetece-me um de sorte.

-Já tenho as chaves do carro, e agora? Queres fazer o quê?
-Escolhe tu.



Inês


segunda-feira, 29 de novembro de 2010

saying goodbye






Um leve toque na mão como despedida e um sorriso discreto como lembrança.

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Juggling

Não é o facto de ires, é o facto de ficares.

Para mim a parte mais difícil é quando te diriges para a porta, rodas a maçaneta, contas até três e sais. Nunca olhas para trás porque sabes que me vais ver sempre com a mesma expressão no rosto, sempre com uma grande máscara de independência e uma réstia de vulnerabilidade no olhar.

Mas agora só quero que me abraces e que me dês um pouco da tua manta, está um frio cortante lá fora.
Tu sabes que eu esperei o dia todo para poder encostar o meu queixo no teu peito e deitar-me no sofá. Ás vezes conheces-me tão bem que até irrita.
É o bem que me sabe estar contigo, é a harmonia da tua voz, é a monotonia reconfortante das tuas manias que dançam no ar, na minha rotina, na minha vida.
É conseguires apagar todo o barulho ensurdecedor que há fora destas quatro paredes, silenciares o que não tem importância.
É o facto de saberes tudo que faz com eu que eu não saiba nada: entras, sais, ficas, vais embora. É um turbilhão e uma monotonia, é o meu mundo a balançar nas tuas mãos como se fizesses malabarismo numa rua do Chiado.

Não é a destreza com que atiras o meu mundo ao ar, é o carinho com que o apanhas.




Inês



(photo courtesy photos8.com)


domingo, 19 de setembro de 2010

More pieces of it



"Passaram-se dois meses e a minha vida, assim como a de Camila, já estava completamente adaptada a Portland. Passar pelo Starbuck's de manhã e ir até à empresa a saborear um Caramel Macchiato tornou-se um dos meus rituais favoritos, assim como ir ao fim da tarde até ao McCall Waterfront Park e passear ao largo da água, enquanto comíamos uns deliciosos cupcakes comprados na pastelaria Swetness.

Enquanto caminhavamos juntos a minha felicidade progredia a níveis que eu imaginara impossíveis. Tal como naquela noite no parque, sentira os meus passos a pisarem todos os meus tormentos, a arrancarem-mos de mim, da minha alma e do meu passado, e via Michael a levar-me numa nova direcção, mais clara, brilhante, solarenga.

Caminhava junto a ele como se me dirigisse para o meu destino com um sorriso no rosto, realmente feliz.

Venha o que vier, pensei, venha o que vier."
Inês

Pieces of it



"-Fique com o troco! - gritou, abrindo a porta e correndo para as escadas do prédio, sem se preocupar com o facto de as suas botas rasas da Hush Puppies estarem a ficar completamente encharcadas nas poças de água.
No preciso momento em que estava a alcançar as escadas exteriores, Miguel sai do interior do prédio com uma camisola dos Portland Trail Blazers vestida.
Camila subiu as escadas apressadamente enquanto ele as descia, ambos com um sorriso cada vez mais. Miguel parou a meio e abriu os seus braços que, quando Camila finalmente os alcançou, a abraçaram e levantaram no chão, dando um passo para trás para a ver melhor, disse:
-Ia morrendo de saudades tuas Camil - disse, colocando as suas mãos no rosto dela e olhando-a nos olhos, beijou-a demoradamente - Ia mesmo."
Inês

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

to define

Se me pedisses para me definir seria muito simples.


Se me pedisses para te mostrar uma música, mostrava-te Frank Sinatra.
Se me pedisses para te mostrar uma cidade, mostrava-te Paris.
Se me pedisses um gesto agarrava na tua mão, se pedisses uma loucura lançava-me nos teus braços.
Se me pedisses uma característica minha mostrava-te os meus sonhos.
São coloridos, dinâmicos, acordados. Quando menos se espera ocupam a minha mente e leva-me para junto de ti.
Vens e vais, mas enquanto permaneces duras para sempre.



Se me pedisses um gesto agarrava na tua mão, se pedisses uma loucura lançava-me nos teus braços.
Pedias-me um momento e eu ficava para sempre neles, a levitar, enquanto me fundia contigo e sonhava acordada.



Se me pedissem um nome, gritava o teu.




Inês

domingo, 12 de setembro de 2010

ultraviolet


Faz-me caminhar no ar, traz-me para o chão e atira-me novamente.
Pega em mim e leva-me a viajar pelo teu mundo, pelos teus habitos, pelas tuas rotinas, pelas tuas manias.
Deixa-me saber de ti, saber quais são os teus cinco sorrisos.
Atira-me na tua vida mas agarra-me com força.


"Oh com'on,
Baby baby baby, light my way"
Inês

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

All about your laugh



É calma, tranquilizadora, curativa. Mas é fogo, é arrebatadora, avassaladora.
É uma contradição, dificil de definir mas impossível de esquecer.

Tem o mesmo efeito que fogo de artificio no céu: sobe vertiginosamente e uns segundos depois explode, iluminando tudo em seu redor e caíndo como uma pedra no nosso coração, permanecendo lá até que voltes a sorrir novamente e até que essa chuva quente volte a cair sobre mim, sobre o meu mundo.
Vai e vem, mas fico sempre à espera do momento em que voltes a sorrir, cruzo os dedos na minha cabeça para que a qualquer segundo me presenteies com mais uma das tuas gargalhadas, com mais um pouco do teu sorriso capaz de fazer aumentar o meu coração e de me lançar no ar, rodopiar e voltar a aterrar, completamente enebriada.

And you've got a smile that can light up this all town

Não me deixes ficar às escuras, não pares de sorrir.
Não pares.

Inês

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Green Day





"I text a postcard, sent to you
Did it go trough?
Sending all my love to you,

You are the moonlight of my life everynight,
Sending all my love to you"

GD, "last night on earth"

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

You say,



You say you'll give me a river in a time of dryness,



Vou-te contar um segredo: tens uma música que me embala.
E ela está sempre a tocar na minha alma, sempre.
Quando me sinto a vaciliar, lembro-me sempre do teu sorriso, e essa melodia apodera-se de mim.
Embala-me devagar, arrasta-me, tira-me do chão.

Mas eu não posso cantar a tua música, é tua. Ninguém no mundo a conhece, só eu.
Sou a única que a ouve, mais ninguém consegue, garanto-te.
A tua música move-me, liberta-me.
A tua música faz-me querer gritar que eu te amo.
Mas tu és como uma pagina em branco, quero escrever nela e não consigo.

Apetece-me mergulhar nas histórias do teu ser, nos textos do teu olhar, nas letras do teu sorriso, nas entrelinhas da tua voz.
Estás parado a olhar para mim, mesmo à minha frente.
Mas não posso, não posso escrever nada em ti.
Quando a caneta está pousada sobre a tua boca, preparada para escrever, eu paro.
Percorres o meu rosto com o teu olhar, mas sabes que eu vou com o vento e tu não.
Enquanto a tua música me embalar, a minha caneta vai estar sempre pousada sobre os teus lábios, à espera.
Peço-te que não os seles, por favor. Não me tragas para o universo real, deixa-me ficar em ti.


Meu amor,
enquanto a tua música ecoar na minha alma, eu vou-te amar sempre


Inês

sábado, 16 de janeiro de 2010

You were talking about the end of (my) world

Talvez seja só eu .
Talvez eu seja a unica pessoa capaz de o ver, capaz de o sentir.

É incrivel como tu ages como se fosse o fim do mundo que conheces, o único que tens na tua alma.

Eu não páro para pensar, não racionalizo, limito-me a transportar tudo o que povoa os meus sonhos para a minha vida "real" , e moldo-os ao que tenho à minha frente.
Abrastraio-me do que me rodeia, concentro-me na minha prespectiva. Sou a única pessoa que sabe disso, não o conto a ninguém.
Mas ás vezes, tu, não sei bem como, consegues prender-me aqui.
Trancas-me no teu mundo, fechas-me a porta e deitas fora a chave.
A partir desse momento eu não sou capaz de sair, de te largar, de parar, não me liberto dos teus braços que me prendem.
Não me importo, porque é sempre um ciclo vicioso, entendes?
Tu chegas, acabas com a vida que eu conheço, e eu deixo-me ir, porque não me solto de ti.
Os teus olhos são como poços de turfas. Despenho-me neles e sinto que não mais voltarei a sair, porque me vou afundando devagar, muito lentamente.
Mas não me importo, não oponho resistência, adoro lá estar.

Só que , quando me liberto finalmente de ti, já nada é igual. A melancoolia consome-me o espírito, e algo me diz para regressar. Mas não posso, não posso voltar.
Tenho que ficar à sombra, à espera de algo que não faço a menor ideia do que seja, mas que é real. Sinto-o.
Não quero que os teus olhos voltem a falar, não quero que me roubem a visão, porque tu sabes que não é difícil para mim levantar os pés do chão, em direcção ao sol.
I'm not the only one staring at the sun
Peço-te que nunca te esqueças do que vou dizer a seguir.

Sei que não, que não sou a única a olhar para o sol.


Mas , meu amor, sou a única que fica contente por cegar.



Inês